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20/03/2017

Câncer, a prevenção e o tratamento requerem um novo olhar sistêmico!

Por mais que a medicina e seus tratamentos evoluam, o câncer ainda é uma doença associada com o medo e a ideia de incurabilidade.

A preocupação com o câncer e meios de prevenção são motivo de campanhas educativas e datas comemorativas durante todo o ano.

Para citar algumas das mais conhecidas, nos meses de outubro e novembro temos importantes campanhas de esclarecimento e prevenção do câncer de mama e de próstata. Outubro Rosa e Novembro Azul são marcos mundiais na conscientização e no esclarecimento sobre estas doenças que são muito sensíveis à prevenção e mesmo assim ainda acometem grande número de homens e mulheres em todo o mundo.

Cada tipo de câncer tem suas particularidades, atinge principalmente certos grupos, etnias e faixas etárias, tem evolução própria, determinados tratamentos aos quais respondem menos ou mais.

O câncer é uma doença complexa que traz muita preocupação e necessita contínua atenção.

Há um ponto que não costuma ser frequentemente abordado mas é fundamental na prevenção e tratamento do câncer. Trata-se de algo simples, comum à maioria dos casos, e praticá-lo depende exclusivamente de cada um de nós. Vamos nos ater a essa questão.

Sabe-se atualmente que das centenas de tipos de câncer, cerca de 5% são hereditários enquanto os restantes 95% dependem do estilo de vida. Refletindo sobre esta situação, aparece uma pergunta poderosa, e mobilizadora: É possível prevenir o câncer?

A partir de 2000 com as conclusões do Projeto Genoma Humano descobriu-se que a grande maioria dos casos de câncer tem causa epigenética, termo que vem das palavras epi que significa acima de e genético referente à genética humana. A conclusão: é fundamental cuidarmos do nosso estilo de vida.

As escolhas que fazemos, o que iremos comer, fumar ou não, usar drogas ou não, fazer atividade física regular ou ser sedentários, ingerir bebidas alcoólicas em excesso ou não, usar fotoproteção solar ou não, gerenciar o estresse ou viver depressiva e ansiosamente, todas essas são escolhas, decisões de vida e que terão como consequência o surgimento ou não do câncer e também das demais doenças crônicas como o diabetes e a pressão alta etc.. Estes são os fatores epigenéticos. Essa descoberta trouxe para nós mesmos a responsabilidade sobre a nossa saúde e a qualidade de vida.

Existem os casos genéticos, uma minoria, e que também tem sua incidência reduzida quando levamos um estilo de vida saudável. No estado de plena saúde a nossa imunidade é praticamente perfeita. Nosso sistema imunológico sabe diferenciar células, substâncias e moléculas pertencentes ao nosso próprio organismo, e aquelas que são externas e necessitam ser combatidas e eliminadas.

Em algum momento a nossa imunidade pode se alterar, seja por estresse intenso, por erros alimentares, toxina ambientais, fumo, radiação, inflamação sistêmica decorrente da obesidade, também pelo processo natural do envelhecimento e então com a imunidade comprometida as células passam a sofrer alterações na divisão celular. Podem se dividir aceleradamente e adiar o processo de sua morte natural (chamada apoptose) e assim se transformam em células cancerosas que crescem desordenadamente e se espalham pelo organismo gerando as metástases que são invasões do câncer em outros órgãos.

Muitos tipos de câncer são mais comuns na sociedade atual do que antigamente. O fato de vivermos mais anos certamente faz com que haja mais mutações celulares e aumente e a incidência de câncer. Hoje também estamos muito mais expostos às toxinas ambientais, agrotóxicos, radiações, alimentos processados, temos um estilo de vida sedentário e todas essas causas, isoladamente ou em conjunto podem levar ao aumento dos índices de câncer. Os comportamentos de risco, por exemplo as relações sexuais com vários parceiros, sem preservativo na mulher pode levar a contaminação pelo papiloma vírus (HPV) e futuramente ao câncer de colo de útero.

A falta de prevenção pode aumentar a incidência de câncer de mama nas mulheres e nos homens do câncer da próstata. O tabagismo aumenta a incidência de câncer de pulmão, cavidade oral e bexiga além de outros, e a própria obesidade, tão crescente na atualidade aumenta a incidência de diversos tipos de câncer. Quanto aos tratamentos, na atualidade são muito mais efetivos do que há anos ou décadas atrás. Medicamentos quimioterápicos, protocolos preventivos, rastreios e até mesmo tratamentos genéticos são ferramentas que fazem parte do moderno repertório da medicina. Também as cirurgias têm uma efetividade muito maior com menos danos do que antigamente.

Combinando a prevenção e os modernos tratamentos, a tendência é que a maioria dos casos de câncer acabem se tornando doenças crônicas em que teremos talvez não a cura mas sim o controle adequado, como hoje ocorre com a hipertensão arterial ou o diabetes mellitus, quando bem tratados.

Lembremos de um ponto fundamental, que faz toda a diferença: qualquer tratamento só ocorre quando a doença já se instalou.

Sempre devemos priorizar a prevenção, atitude muito mais sábia e efetiva que tratar doenças já instaladas. Podemos tentar apagar um incêndio que já iniciou, ou tomar atitudes e cuidados para evitar que comecem. O que é preferível?

Todos nós ao comprarmos um carro cuidamos dele preventivamente, o levamos à todas revisões agendadas, qualquer ruído ou funcionamento estranho nos preocupamos e buscamos a causa. Como se explica que com nosso maior bem, a saúde, possamos ser tão negligentes?

Para encerrar, cito o estudo Grant Study of Adult Development, o mais longo estudo longitudinal (ao longo do tempo), iniciado em 1938, acompanhou por décadas a vida de mais de 200 homens, desde seus dias escolares. Por décadas este estudo foi coordenado pelo médico psiquiatra Dr. George Vaillant, que seguiu esses homens em suas oitava e nona décadas de vida, e demonstrou o papel preventivo e curativo do emocional, dos relacionamentos afetivos, reforçando que sempre podemos evoluir e buscar a saúde e a felicidade.

Também ele conclui que o crédito por um envelhecimento com saúde e vitalidade depende mais de nós mesmos do que da nossa hereditariedade. Cuide-se bem, seja saudável, ativo, positivo, conecte-se com os outros, ame muito, e aproveite a vida sua plenitude.

Dr. Roberto Debski

Médico - CRM SP 58806

Psicólogo - CRP/06 84803

Coach e Trainer em Programação Neurolinguística